Com a aproximação do Carnaval, uma época em que roupas, adereços e artigos festivos são amplamente consumidos, cresce também a atenção ao impacto ambiental desses produtos.

A União Europeia tem vindo a reforçar o enquadramento legislativo e normativo que apoia escolhas mais sustentáveis, com o objetivo de melhorar a durabilidade, reutilização, reparabilidade, reciclabilidade e eficiência no uso de recursos dos produtos colocados no mercado europeu, bem como reduzir os seus impactos ambientais e climáticos. Um dos instrumentos centrais desta abordagem é o Regulamento (UE) 2024/1781, relativo à Conceção Ecológica de Produtos Sustentáveis (ESPR), em vigor desde julho de 2024, que alarga os requisitos de sustentabilidade a praticamente todos os bens físicos comercializados na União Europeia.

No domínio dos têxteis, incluindo artigos sazonais como fatos e acessórios de Carnaval, este quadro é complementado pela Estratégia Europeia para Têxteis Sustentáveis e Circulares, que promove requisitos de conceção mais exigentes, a redução de substâncias perigosas, o combate à libertação de microplásticos provenientes de fibras sintéticas e o reforço da responsabilidade dos produtores ao longo do ciclo de vida dos produtos. O objetivo é integrar, desde a fase de design, princípios de economia circular que favoreçam produtos mais duráveis, reparáveis e recicláveis.

O novo regulamento prevê ainda instrumentos como o Passaporte Digital de Produto (PDP), que reúne informação relevante sobre a composição, origem e desempenho ambiental dos bens colocados no mercado, reforçando a transparência e apoiando decisões mais informadas por parte de consumidores, operadores económicos e autoridades. Em Portugal, o acompanhamento desta iniciativa é assegurado pela CT 228 «Passaporte Digital de Produto», coordenada pelo Organismo de Normalização Setorial/Associação para o Pólo das Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica (ONS/TICE.PT), cujo âmbito inclui acompanhar a nível nacional a iniciativa de implementação do PDP no contexto do regulamento Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR).

Para consumidores e empresas que participam na dinâmica associada às festividades de Carnaval, esta evolução assume relevância prática. A escolha de produtos concebidos segundo princípios de sustentabilidade pode contribuir para a redução de desperdícios e para a utilização mais eficiente de recursos, desde a produção até ao fim de vida. Produtos com materiais reciclados, concebidos para maior durabilidade e acompanhados de informação clara sobre o seu desempenho ambiental, alinham-se com as prioridades europeias em matéria de economia circular e transição ecológica.

A concretização destes objetivos depende, em larga medida, do trabalho desenvolvido no âmbito da normalização europeia e internacional. As normas elaboradas no seio do CEN, CENELEC, ISO e IEC traduzem os princípios da conceção ecológica e da economia circular em requisitos técnicos claros e aplicáveis pelas empresas.

Num contexto em que criatividade e expressão cultural estão associadas frequentemente ao consumo de bens de uso temporário, a normalização técnica e os novos requisitos de conceção ecológica constituem instrumentos fundamentais para apoiar escolhas mais responsáveis. Assim, Carnaval e sustentabilidade podem desfilar lado a lado, contribuindo para um mercado mais transparente, competitivo e ambientalmente responsável.

2026-02-16