Os Grupos de Aprendizagem do projeto Qualidade Lisboa 2030 estão a apoiar empresas da Grande Lisboa e da Península de Setúbal na adoção de práticas de gestão da qualidade, com foco na melhoria organizacional, na inovação e na sustentabilidade. Nos dois primeiros ciclos, participaram 39 PME e startups.

Promovida pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ), em parceria com a Associação Industrial Portuguesa (AIP), a iniciativa integra o projeto Qualidade Lisboa 2030, cofinanciado pelo Programa Lisboa 2030, e pretende reforçar a capacidade das organizações para responder aos desafios de um contexto económico e tecnológico em transformação.
Os participantes foram distribuídos por dois grupos: o Grupo de Sistemas de Gestão da Qualidade, que reuniu 20 PME, e o Grupo de Qualidade e Inovação, constituído por 19 startups.
Ao longo dos dois primeiros ciclos, realizados entre abril e julho de 2026, as empresas participaram em workshops presenciais e online, sessões de acompanhamento especializado e atividades de diagnóstico e planeamento, com o objetivo de identificar oportunidades de melhoria e definir medidas concretas.
A taxa de conclusão dos diagnósticos de maturidade organizacional situou-se em cerca de 90 %, evidenciando o envolvimento das empresas na avaliação das suas práticas e na identificação de áreas de desenvolvimento.
Diagnosticar para identificar oportunidades de melhoria
O primeiro ciclo, realizado entre abril e maio, teve como ponto de partida a Ferramenta de Autodiagnóstico para a Qualidade “Qualidade Lisboa 2030”, desenvolvida no âmbito do projeto.
A ferramenta permitiu às PME e startups avaliar o seu nível de maturidade organizacional, identificar áreas de melhoria e definir prioridades de desenvolvimento.
A metodologia adotada tem por base referenciais reconhecidos internacionalmente. Para as PME, assenta nas orientações da NP EN ISO 9004:2019 «Gestão da qualidade – Qualidade de uma organização – Linhas de orientação para atingir o sucesso sustentado» (ISO 9004:2018), centradas na qualidade organizacional e no sucesso sustentado.
Para as startups, incorpora também os princípios da NP 4595:2024 «Abordagem à Gestão da Qualidade e da Inovação em Startups – Requisitos e Linhas de Orientação». As duas normas encontram-se disponíveis para aquisição na Loja Online do IPQ.
O diagnóstico combinou a autoavaliação com uma análise estruturada dos resultados, permitindo relacionar as conclusões obtidas com os objetivos estratégicos de cada organização.
Entre os principais desafios identificados destacam-se a definição do contexto, o mapeamento de processos e a definição de indicadores-chave de desempenho (KPI), bem como a avaliação da satisfação dos clientes.
Para o IPQ, os resultados demonstram a importância de disponibilizar às empresas instrumentos que lhes permitam conhecer o seu nível de maturidade e identificar oportunidades de melhoria de forma estruturada.
Da avaliação à definição de medidas concretas
O segundo ciclo, realizado entre junho e julho, centrou-se na transformação dos resultados dos diagnósticos em medidas concretas de melhoria.
No Grupo de Sistemas de Gestão da Qualidade para PME, o trabalho incidiu na articulação entre os objetivos definidos para 2026, os respetivos indicadores e metas, o mapa de processos e a matriz de gestão do risco.
As empresas foram também apoiadas na utilização de uma matriz de Esforço × Impacto, que permitiu priorizar ações e estruturar roadmaps de implementação, com definição de responsabilidades, prazos e critérios para avaliar a eficácia das medidas adotadas.
No Grupo de Qualidade e Inovação para Startups, o trabalho incidiu no aprofundamento da gestão de riscos e oportunidades, na abordagem por processos e na definição de indicadores de desempenho, em alinhamento com a NP 4595:2024.
Cada startup desenvolveu um plano de ação individual, identificando as medidas prioritárias, os responsáveis pela implementação, os recursos necessários, os prazos e os momentos de monitorização.
No final do segundo ciclo, as empresas dispunham de planos de ação estruturados e ferramentas para apoiar a implementação das medidas de melhoria identificadas.
Quando a qualidade passa da teoria à prática
A componente prática foi uma das dimensões mais valorizadas pelos participantes. A aplicação dos referenciais às situações concretas das empresas permitiu transformar conceitos e requisitos de gestão da qualidade em ações com aplicação direta.
Um dos participantes envolvidos na iniciativa destacou precisamente esta dimensão:
“Uma abordagem prática da ISO 9001, com exemplos que nos permitiram entender os passos a tomar.”
A partilha de experiências entre empresas com diferentes níveis de desenvolvimento constituiu igualmente uma oportunidade para a troca de conhecimento e a disseminação de boas práticas.
Para algumas organizações, o desafio não estava na adoção dos princípios da qualidade, mas na sua formalização. Como explicou outro participante:
“Os procedimentos, o rigor, o foco no cliente e na qualidade dos produtos já os adotava há muitos anos. Agora o desafio era perceber como colocar no papel o que já fazia no dia a dia.”
O diagnóstico permitiu, neste contexto, reconhecer práticas já existentes, identificar lacunas e estruturar de forma mais consistente o desenvolvimento organizacional.
Os questionários de satisfação evidenciaram ainda a valorização dos exemplos e ferramentas disponibilizados, do esclarecimento de dúvidas, das oportunidades de networking e da reflexão sobre a melhoria dos processos internos.
Entre as startups, foram também destacados aspetos como a componente prática e a possibilidade de estruturar fluxos e processos de forma mais adequada, refletindo a aplicabilidade dos conteúdos trabalhados ao longo do programa.
Próxima fase: implementar e acompanhar
Concluídos os dois primeiros ciclos, os Grupos de Aprendizagem entram agora na terceira e última fase, dedicada à análise e consolidação dos planos de ação, ao acompanhamento das primeiras etapas de implementação e à avaliação do desempenho e da sustentabilidade das soluções adotadas.
Para as PME, esta fase decorre durante setembro de 2026. No caso das startups, prolonga-se até outubro de 2026.
Com esta iniciativa, o Qualidade Lisboa 2030 procura apoiar PME e startups na adoção de práticas de gestão mais estruturadas, reforçando a sua capacidade de melhoria, inovação e adaptação.
Ao colocar a Qualidade ao serviço da gestão e do desenvolvimento das organizações, o projeto contribui para empresas mais preparadas para responder aos desafios atuais e para reforçar a competitividade do tecido empresarial da região.
2026-09-07